“A gente é desafiada todos os dias a se aprofundar”, diz a jornalista Tátyna Viana

Cairo Yuri

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A editora, repórter e apresentadora de telejornal, Tátyna Viana, acredita que a curiosidade deve fazer parte da personalidade do jornalista. “É essencial que ele se mantenha informado. Principalmente em locais públicos, quando a gente consegue levantar pautas que representem o coletivo, observar situações que ajudem vocês no exercício da profissão, independentemente da carreira que vocês querem seguir”, recomenda. Para ela, a facilidade do acesso às informações nos perfis e sites de internet, além da variedade de podcasts, auxilia o jornalista a se manter bem-informado, em qualquer lugar que esteja.

Ela comenta, ainda, que lidar com o tempo é uma das questões mais complicadas no telejornalismo. “Por mais que a gente tenha o horário para exibir o jornal, muitas vezes não tem hora para sair, porque pode acontecer um fato depois, e você tem que ficar ali naquela apuração”, relata. Nessa jornada imprevisível, Tátyna se vê no desafio de ajustar esses horários com as demandas e compromissos da vida pessoal, para estar pronta e entregar a segunda edição do JMTV (Jornal da Mirante), de segunda à sexta.

Jornalista Tátyna Viana apresenta todas as noites o JM2, na TV Mirante

Casada e mãe de dois meninos, Tátyna Viana Barbosa é mestre em Comunicação, possui especialização em Docência do Ensino Superior e graduação em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Desde 2008 trabalha na TV Mirante, afiliada à rede Globo, em Imperatriz (MA), atualmente como editora e apresentadora de telejornal. É colaboradora do Portal Imirante e já atuou como professora substituta na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

A jornalista reitera a importância da busca de sites confiáveis que se encaixem no perfil de leitura ideal, na sua opinião, para se manter atualizada. “Sites como de O Globo, Uol, Metrópoles, são buscadores confiáveis. Hoje a gente tem elementos muito importantes, que são as agências de checagem, a própria Lupa, da Uol, o Fato ou Fake do G1”. Ela ainda afirma que se deve ter muito cuidado com a circulação de vídeos e notícias pelas redes sociais, devido à proliferação das fake news.

A entrevistada faz todos os dias uma checagem nos principais sites de notícias para se atualizar de acordo com aqueles que ela mais se identifica. Mesmo sendo jornalista de uma emissora de telejornalismo local, como profissional, ela também sente a necessidade de se manter atualizada sobre as notícias internacionais. “A gente está tendo, aí, uma guerra em Israel e tinham maranhenses e imperatrizenses lá. Então o repórter cobriu muito essa situação ligando pro pessoal. Porque ele tinha que saber, no mínimo, por alto, o que estava acontecendo na guerra, para colocar no texto dele”, exemplifica.

Mesmo afiliada ao telejornalismo local, a jornalista ressalta que não se pode estar atrelada a apenas um assunto, mas, sim, inteirar-se a respeito do que ocorre ao redor do mundo. “A principal dica é buscar aquilo que te interessa da forma que você se sente melhor ou mais prazer, para você aprender. Sem que aquilo seja algo que não te faz bem, que você faça por obrigação. Então, criar esse hábito de se manter bem-informado”.

Estrutura

O raro investimento das empresas em equipes para atuar no jornalismo local é um fator de dificuldade apontado pela profissional. “Nós exercemos várias funções. Eu fico sozinha à tarde no JM2. Então, eu sou produtora também, embora na minha carteira só esteja assinado editora e apresentadora”, enfatiza. Segundo a jornalista, esse cenário gera impacto no resultado final. “A gente tem essa deficiência de pessoal e isso acaba refletindo na qualidade do produto ofertado”.

A profissional vê esse desafio como “muito difícil ou quase impossível de resolver”, porque envolve a questão financeira das empresas. “Seria fácil contratar mais gente, mas isso reflete lá na folha de pagamento”, revela. A jornalista lembra que quando ingressou na TV Mirante, em 2009, a equipe era grande, mas os “cortes” nas despesas aconteceram por ocasião de uma greve, ocorrida em janeiro de 2017.

No primeiro dia dessa paralisação, toda a programação local que era gerada da cidade foi suspensa, e somente o sinal de São Luís foi exibido em Imperatriz. 50% dos 96 funcionários da TV cruzaram os braços, em um movimento grevista que reclamava o congelamento dos salários e o corte do vale-alimentação. O resultado foi a dispensa de vários jornalistas. “De lá pra cá, ninguém saiu por demissão, a gente não teve mais nenhum corte. Só que quando o diretor de jornalismo reivindica mais profissionais, a justificativa da empresa é de que não dá, por questões financeiras”, contextualiza Tátyna.

Apesar dos percalços, a apresentadora se sente feliz na profissão e até fez uma brincadeira com a sua remuneração. “Todo mundo sabe que o jornalista não é pago como gostaria. Então, posso não estar satisfeita com o salário que recebo, mas, realizada profissionalmente, eu sou sim”, conta, em tom leve e descontraído. Logo depois, Tátyna emenda, mais séria: “Mas pelo menos na empresa em que eu trabalho, a gente está dentro do que o sindicato propõe”.

Para Tátyna Viana, a rotina corrida, a escassez de pessoal e o aperto financeiro são uma realidade em todas as emissoras. Por isso, a resiliência e dedicação desses profissionais acaba sendo o diferencial. “A gente é desafiado todos os dias com os assuntos que chegam, para se aprofundar naquele tema, para conhecer um pouco mais daquela história, humanizar as matérias e passar para o telespectador essas vivências”, defende a jornalista.

*Este texto é resultado de um exercício de entrevista coletiva realizado na disciplina Redação Jornalística, do primeiro semestre do curso de Jornalismo da UFMA de Imperatriz (MA). Os e as estudantes pesquisaram sobre a entrevistada, elaboraram as perguntas, executaram a entrevista e transformaram as declarações em textos jornalísticos. Esta é a primeira publicação oficial deles e delas.

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