Profissionais que vivenciaram diferentes fases na emissora relatam os impactos na cobertura
Kalyne Dutra
A TV Mirante de Imperatriz acompanhou as transformações da comunicação na região ao longo de décadas, passando por mudanças que vão desde a utilização de equipamentos analógicos até a incorporação de tecnologias digitais que revolucionaram a produção e a transmissão das notícias. A partir dos relatos de profissionais que vivenciaram diferentes fases da emissora, a reportagem resgata as dificuldades enfrentadas no início, as adaptações impostas pelos avanços tecnológicos e os impactos dessas mudanças na rotina do jornalismo.
Entre memórias de equipamentos limitados, processos mais demorados e a chegada de novas ferramentas, a evolução tecnológica evidencia mudanças na produção jornalística, com efeitos visíveis na qualidade, na agilidade e no acesso à informação na região Tocantina.

Fundada em 15 de março de 1987, a TV Mirante passou por mudanças tecnológicas que acompanharam a evolução do telejornalismo. Antes da incorporação dos recursos digitais, a produção jornalística era marcada por limitações técnicas e equipamentos analógicos que exigiam maior esforço das equipes.
José Cordeiro, colaborador no setor de edição da emissora desde sua fundação, relembra que as câmeras eram ligadas por cabos a gravadores de vídeo (VT), demandando a atuação de dois profissionais durante as gravações, enquanto os microfones com fio restringiam a mobilidade e dificultavam a cobertura das pautas externas.
As transformações tecnológicas alteraram profundamente a forma de produzir notícias na TV Mirante. Segundo Cordeiro, no início da emissora, as câmeras e os microfones eram ligados por cabos a um gravador de vídeo (VT), o que limitava a mobilidade das equipes e tornava as transmissões ao vivo mais complexas, exigindo a instalação de torres para envio do sinal.
Com o avanço da internet e a adoção de novas tecnologias, esse processo foi simplificado. “Hoje, de onde tiver internet, a gente faz participações ao vivo”, afirma. O entrevistado também destaca que a digitalização modernizou a produção jornalística, desde o recebimento das pautas até a edição das reportagens, tornando o fluxo de trabalho mais rápido, integrado e eficiente.
Além da modernização dos equipamentos, Cordeiro ressalta que a evolução tecnológica também transformou a circulação das informações dentro da emissora. Segundo ele, as pautas, que antes eram repassadas por telefone, bilhetes ou até mesmo pelo “boca a boca” e datilografadas em máquinas de escrever, hoje chegam instantaneamente por computadores e celulares, muitas vezes acompanhadas de fotos e vídeos.
“A evolução tecnológica ajudou bastante na dinâmica do processo de comunicação”, comenta o profissional, acrescentando que ela tornou o trabalho das equipes mais integrado e agilizou a produção das reportagens. Contudo, Cordeiro observa que a rapidez com que as notícias circulam nas plataformas digitais representa um novo desafio para o telejornalismo, que ainda precisa conciliar a velocidade da informação com os horários fixos de exibição dos telejornais.
Na edição das reportagens, a evolução tecnológica também provocou mudanças significativas. Nonato Chaves, editor de vídeo da TV Mirante desde 1987, relata que, no início da emissora, todo o processo era realizado em fitas e exigia marcações manuais, demandando precisão e muito mais tempo de trabalho. “Se a fita estragasse, tinha que começar tudo do zero”, menciona.

tecnológicas. (foto: Kalyne Dutra)
As sucessivas cópias ainda causavam perda na qualidade da imagem e do áudio. Com a digitalização dos equipamentos e dos softwares de edição, a produção tornou-se mais ágil, permitindo alterações instantâneas, compartilhamento dos arquivos entre as equipes e maior qualidade técnica. “Hoje em dia é mais fácil, não tem comparação. A qualidade evoluiu 200% ou 300%”, avalia Nonato..
Comunidade
Além das transformações nos processos de produção, a evolução tecnológica também fortaleceu a relação da TV Mirante com a sociedade. Na avaliação de Nonato Chaves, a emissora exerce um papel essencial na comunicação de Imperatriz ao manter a população informada sobre os principais acontecimentos da cidade e da região.
Segundo ele, “a TV Mirante traz informação, entretenimento”, além de incentivar a cultura local por meio de eventos e projetos desenvolvidos ao longo de sua trajetória. Nesse contexto, a modernização dos meios de comunicação não apenas aprimorou a qualidade técnica das reportagens, mas também ampliou a capacidade da emissora de cumprir sua função social de informar com credibilidade e aproximar o jornalismo da população.
Para Nonato Chaves, a modernização dos equipamentos transformou completamente a rotina dos profissionais da televisão. Ao comparar os processos utilizados no início da TV Mirante com os recursos disponíveis atualmente, o editor afirma que “muita gente hoje teria dificuldade de trabalhar naquele período”, referindo-se à complexidade dos equipamentos analógicos e às limitações técnicas enfrentadas pelas equipes.
Conectividade
Representando uma geração que já ingressou na TV Mirante em um cenário marcado pela digitalização, Matheus de Sousa Diniz, de 25 anos, repórter da emissora, destaca que a evolução tecnológica tornou a televisão mais próxima do público e ampliou as possibilidades de cobertura jornalística. Segundo ele, acompanhar as inovações é indispensável para manter a relevância dos meios de comunicação.
Um exemplo disso é a utilização do MoJo (Mobile Journalism), tecnologia que permite realizar transmissões ao vivo utilizando apenas um smartphone conectado ao sistema da emissora. “Não tem como manter uma TV hoje em dia sem buscar se adaptar às novidades tecnológicas”, ressalta Matheus. Na sua opinião, o investimento em equipamentos modernos reflete diretamente na qualidade do conteúdo oferecido ao telespectador.
Além das mudanças nos equipamentos, Matheus ressalta que as redes sociais transformaram a relação entre a emissora e a audiência. Segundo ele, o público deixou de ser apenas espectador para participar ativamente da produção das notícias, principalmente por meio do WhatsApp, onde envia denúncias, sugestões de pautas, registros de acontecimentos e informações exibidas durante os telejornais. O repórter afirma que “muitas reportagens sobre problemas da cidade e da região começam após o recebimento dessas mensagens dos nossos telespectadores“.
Mais do que representar uma mudança de equipamentos, a evolução tecnológica alterou a lógica de funcionamento do telejornalismo. Processos que antes dependiam de horas de trabalho manual passaram a ser executados em poucos minutos por meio de softwares e sistemas digitais. Essa modernização possibilitou maior integração entre as equipes, tornando a produção das reportagens mais eficiente e contribuindo para que as notícias cheguem ao público com mais rapidez.

Embora as redes sociais tenham acelerado a circulação das informações, Matheus observa que esse cenário também ampliou a responsabilidade do jornalista. Conforme explica, é comum que imagens e relatos de acontecimentos sejam publicados na internet antes da chegada da imprensa ao local.
No entanto, ele enfatiza que a velocidade não substitui o compromisso com a verificação dos fatos. “Nada roda na TV sem que algo seja confirmado”, afirma. Para o repórter, a checagem das informações junto a órgãos oficiais e às fontes envolvidas continua sendo um dos principais diferenciais do telejornalismo, garantindo credibilidade e reduzindo o risco da disseminação de desinformação.
Esta matéria faz parte do projeto “Meu canto tem histórias”. Os (as) estudantes do primeiro semestre do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus de Imperatriz, foram incentivados (as) a procurar ideias para matérias jornalísticas em seus próprios bairros, em Imperatriz, ou cidades de origem. O projeto é uma parceria interdisciplinar envolvendo Redação Jornalística (prof. Dr. Alexandre Zarate Maciel) e Laboratório de Produção de Texto I (LPT, profa. Dra. Camila Rodrigues Viana). Em 2026.1, contou com a colaboração, nas correções finais, da mestranda do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGLe), da Uemasul, Milena do Nascimento Silva, em estágio-docência.