Atuação da força de segurança remonta ao apoio sanitário durante a pandemia da Covid-19
Antonio Marcos de Sousa
No dia 20 de março de 2020, foram colocados nas ruas os primeiros agentes da Guarda Municipal de Imperatriz. O cenário era marcado por uma crise mundial que também atingia a cidade, que reuniu todos os meios possíveis para enfrentar a pandemia da Covid-19. Hoje, a Guarda conta com 100 agentes, que auxiliam as forças estaduais no combate ao crime.
Os novos servidores (na época, 81 no total) foram convocados para atuar em apoio às outras secretarias, em um momento de crise sanitária global. Isso evidenciou a necessidade de mobilizar todos os recursos institucionais disponíveis para conter o avanço do coronavírus e tentar garantir a segurança da população.
Os agentes iniciaram os trabalhos praticamente sem experiência operacional, contando apenas com um colete balístico, uma arma de choque (Spark) e poucos recursos operacionais. O comandante da Guarda Municipal, Lucas Walaces Braga de Melo, relembra que o início foi desafiador. Segundo ele, “muitas pessoas ainda não conheciam as atribuições da GMI e com frequência confundiam a instituição com a Superintendência Municipal de Trânsito (Sutran).”
Aos poucos, a GMI foi conquistando espaço e respeito por meio das ações que realizava. “Iniciar as atividades em um período tão conturbado proporcionou experiência e contribuiu para uma atuação mais humanizada nas abordagens, formando um efetivo forjado em meio aos desafios de uma pandemia mundial”. Segundo o coordenador de patrimônio da Guarda Municipal, GM Darlan da Silva de Melo, o trabalho desenvolvido nas unidades de saúde exigia dedicação e preparo emocional.
Ele conta que os plantões, no início, ocorriam no Hospital Municipal de Imperatriz (HMI), no Hospital Municipal Infantil de Imperatriz (HMII) e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro São José. “Chegávamos às oito horas da manhã, e a fila na UPA já era enorme. Todos se queixavam dos sintomas da Covid-19”, recorda Darlan.
Muitas vezes, era preciso realizar atividades que não faziam parte das atribuições da Guarda Municipal, como organizar filas para consultas e para a distribuição dos medicamentos disponibilizados naquele período. “Quando chegávamos em casa tirávamos a roupa ainda na porta, colocávamos as peças e o coturno em uma sacola. Em seguida, íamos diretamente para o banheiro. Somente depois disso, tínhamos contato com nossos familiares para evitar o risco de contaminar eles pelo vírus”, disse o coordenador.

Formação
O comandante Lucas Braga esclarece algumas dúvidas frequentes da população sobre a admissão na carreira e as atribuições de um guarda municipal. Segundo ele, para ingressar na corporação é necessário ter, no mínimo, 18 anos de idade, ensino médio completo e ser aprovado em concurso público. Após a aprovação, o candidato deve ainda cumprir outras etapas do processo seletivo, como: o Teste de Aptidão Física (TAF), exames médicos, avaliação psicológica (teste psicotécnico) e o curso de formação, além de atender aos demais requisitos previstos na legislação.
De acordo com o comandante, o curso de formação representa uma das fases mais importantes da preparação do futuro guarda municipal, pois é nesse período que se constrói a identidade profissional do agente e são ministradas as disciplinas voltadas para sua atuação operacional, técnica e ética.
O coordenador de ensino, GM Anderson Jordan Alves Abreu, explica que o primeiro Curso de Formação da Guarda Municipal de Imperatriz foi ministrado em 2019 pela Polícia Militar do Maranhão. Já o segundo, em 2025, foi conduzido pelos próprios guardas municipais, consolidando o lema “Guarda forma Guarda”. “Quando fomos formar a segunda turma da Guarda Municipal, buscamos estabelecer uma identidade própria para a instituição”, ressalta Jordan.

Atribuições
Segundo o comandante Lucas Braga, há cerca de 10 a 15 anos, as guardas municipais eram responsáveis exclusivamente pela proteção do patrimônio público do município. No entanto, com o passar do tempo, suas atribuições foram ampliadas, e os órgãos de fiscalização passaram a exigir maior qualificação desses agentes. Atualmente, para ingressar na GMI, o candidato deve cumprir mais de 400 horas de curso de formação, além de participar de requalificação periódica.
Os guardas municipais atuam nas mais diversas áreas e são capacitados para portar, com competência técnica, armamentos como “spray de pimenta, tonfa (haste de madeira ou plástico), armas de choque (spark), de fogo curta (pistolas) e longa (espingardas e carabinas calibre .40), conforme regulamentação da Polícia Federal. Dessa forma, a força de segurança municipal auxilia as polícias Militar e Civil, no combate à criminalidade. Nesse propósito, o comandante destaca que a Guarda Municipal cumpriu 100 mandados de prisão de janeiro de 2026 até 3 de julho de 2026, “quase um a cada dois dias”.
Assim, os agentes foram buscando, cada dia, qualificar-se e seguindo suas vocações dentro da atividade policial. Com o passar do tempo, a GMI foi se estruturando e surgiram as condições necessárias para os surgimentos de vários agrupamentos qualificados e especializados.

Canil (GAC)
A Guarda Municipal conta com um canil, denominado Grupo de Operações com Cães (GAC). Trata-se da única instituição no sul do Maranhão a possuir dois cães treinados. Esses animais são empregados em operações conjuntas com as polícias Militar, Civil e Penal, e Corpo de Bombeiros.
A GM Daniella Alves Silva, supervisora do canil, explica que, para se tornar uma cinotécnica, como são chamados os condutores e adestradores, é necessário realizar um curso especializado na área operacional ou curso tecnólogo. No caso dela, a formação foi obtida na Guarda Municipal de Marabá (PA), onde conquistou o certificado de condutora de cães.
Segundo a Guarda Daniella, a rotina com os animais começa cedo.” Os cães seguem o ciclo circadiano. Acordam logo ao amanhecer, assim como também dormem logo ao escurecer”. Além disso, os cuidados com a alimentação, vitaminas e prevenção contra doenças são indispensáveis.
Os cães seguem uma rotina diária bem definida. Uma das atividades é a socialização. Killer, cão de detecção, e Crípton, cão de patrulha e captura, realizam passeios todas as manhãs para manter o contato tanto com pessoas quanto com outros animais. “Essa é uma forma de expor eles para que não se tornem cães medrosos ou perigosos, mas manter eles em equilíbrio”, comenta Daniella.
Ela relata que os desafios enfrentados por uma mulher na atividade policial são significativos e que essas dificuldades se intensificam quando se atua como cinotécnica. “Cuidar de um cão de grande porte e postura imponente desperta certa desconfiança da parte das pessoas”, pondera Daniella. Ela esclarece que, durante as operações é comum permanecer próximos de idosos e crianças, que demonstram receio diante dos animais. Ainda assim, ela continua desempenhando essa função com dedicação, pois sua paixão pelos animais existe desde a infância.
O GM Jorlan Batista Leão, que também realizou o curso de condutor e é um dos responsáveis pelo canil, fala com muito entusiasmo sobre os animais e relembra momentos de parceria entre os seres humanos e os cães. Uma das lembranças é de uma operação em cooperação com a Polícia Civil.

Era de madrugada quando os agentes se reuniram para traçar a estratégia do cumprimento de um mandado de prisão. O plano consistia em os policiais entrarem na casa do suspeito, o qual não revelou onde estavam escondidas as drogas. Depois do suspeito detido, o cão faria a varredura na residência. O animal efetuou a busca com maestria. “Ele foi farejando até encontrar sete quilos de maconha em um compartimento escondido: cocaína, uma balança de precisão e uma quantidade de dinheiro. Para mim, é muito gratificante cuidar de um animal tão importante”, disse Jorlan.
Motopatrulhamento
A Guarda Municipal também conta com o Grupo de Ações e Resposta Rápida, denominado GARA. O supervisor, Lucas de Andrade Silva, contou que o agrupamento já existia há algum tempo, mas somente em 20 de fevereiro de 2026, depois de um curso de 40 dias, no qual os participantes foram submetidos às disciplinas de legislação de trânsito, técnicas de abordagem, AHP tático, dentre outros, foi implantado definitivamente o Motopatrulhamento Tático-Operacional.
O GM Lucas acrescenta que todas as manhãs a rotina começa cedo. “Lavamos as motos e realizamos todas as manutenções necessárias nos veículos e equipamentos. Depois de nos prepararmos e de revisar os equipamentos, partimos para o nosso momento de pedir proteção, pois antes de sairmos fazemos a oração do motopatrulheiro”.

A esse ato de fé, ele atribui a proteção contra os acidentes. Lucas conta que, certa vez, no dia em que o presidente Luís Inácio Lula da Silva veio entregar as casas do Residencial Canto da Serra, ela estava fazendo a segurança do perímetro. “O trânsito estava muito intenso. Fomos fazer um deslocamento entre os carros, quando um automóvel, imprudentemente, tentando sair do engarrafamento, chocou-se com minha moto. Fui ao solo. Passei alguns minutos refletindo sobre os perigos do motopatrulhamento, aos quais somos submetidos diariamente. Rapidamente, fui atendido, levado ao Socorrão. Depois de exames, fui liberado. Isso evidencia um risco a mais na nossa profissão”, descreve Lucas.
Compromisso
O comandante Lucas Braga deixa um recado à sociedade, reafirmando o compromisso que a Guarda Municipal de Imperatriz assume com a população. Segundo ele,” a instituição continuará atuando com dedicação, responsabilidade e respeito ao cidadão, buscando fortalecer a segurança pública por meio da prevenção, da proximidade com a comunidade e da proteção do patrimônio público”. Destacou, ainda, que o trabalho da corporação é pautado pelo compromisso de servir à população, reforçando a confiança entre a Guarda Municipal e a comunidade.
Esta matéria faz parte do projeto “Meu canto tem histórias”. Os (as) estudantes do primeiro semestre do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus de Imperatriz, foram incentivados (as) a procurar ideias para matérias jornalísticas em seus próprios bairros, em Imperatriz, ou cidades de origem. O projeto é uma parceria interdisciplinar envolvendo Redação Jornalística (prof. Dr. Alexandre Zarate Maciel) e Laboratório de Produção de Texto I (LPT, profa. Dra. Camila Rodrigues Viana). Em 2026.1, contou com a colaboração, nas correções finais, da mestranda do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGLe), da Uemasul, Milena do Nascimento Silva, em estágio-docência.