Voz Literária · Quem vive conta

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Quando o Maranhão me abraçou

Amanda Nascimento

Dizem que a mala que a gente arruma diz muito sobre nós. Em
novembro de 2024, a minha estava super organizada, mas a cabeça era
uma bagunça. Aos 17 anos, viajar sozinha para representar meu campus
no universo IFMA era uma aventura que parecia grande demais para
caber no peito, e eu só imaginava como seria conhecer os Lençóis
Maranhenses, lugar que eu sempre sonhei visitar.
Quando o ônibus deu partida, ficou claro que aquela viagem
levava muito mais que passageiros. Levava sonhos, sotaques diferentes e
uma vontade enorme de mostrar que o conhecimento muda vidas. No
evento, vendo tanta gente do maranhão reunida, percebi uma coisa; a
gente não aprende só em sala de aula, aprende também no corredor,
na risada do almoço e naquela conversa rápida antes de apresentar
um trabalho com o coração na boca.
Mas o teste final foi quando cheguei aos lençóis. O vento batia
forte, a areia parecia não ter fim e as lagoas brilhavam como o céu. eu
que sempre amei água, me senti pequenininha diante daquela
imensidão. Mas, ao mesmo tempo, senti que fazia parte daquele lugar e
de tudo que ali estava. Foi como se o lugar me dissesse “Está vendo
como vale a pena sair da zona de conforto?”
Na hora de voltar pra casa, percebi que a mala veio mais pesada,
não de roupas, mas de histórias e coragem. E essa viagem me ensinou
que crescer é exatamente isso, conhecer o mundo enquanto a gente
conhece a si.

Hoje quando lembro de barreirinhas, lembro da menina
que embarcou cheia de medo e voltou com a alma leve guardando
memórias que parecem água doce no coração.

Produto jornalismo literário Quem vive conta. Crônica desenvolvida por acadêmicos da turma 2026.1 do curso de jornalismo UFMA/Imperatriz na disciplina de Produção textual I. Coordenado pelas professoras Camila Rodrigues e Milena Silva. Edição por Nathalia Monteiro.

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