Mounjaro chega a Imperatriz e uso estético preocupa profissionais do SUS

Texto: Anna Vitória Diógenes

Fotos: Anna Vitória Diógenes

 A chegada do medicamento Mounjaro (tirzepatida) a farmácias e clínicas de Imperatriz, com preços que chegam a R$ 3,6 mil, acendeu um alerta. O uso do medicamento para fins estéticos, motivado pela pressão cultural, já reflete em sobrecarga no SUS, associada ao uso clandestino e a fórmulas manipuladas. Em paralelo, uma indicação na Câmara Municipal propõe viabilizar o acesso ao remédio na rede pública em 2025.

“As pessoas vão ter consequências, não vão ter dinheiro para procurar ajuda privada e vão vir para o SUS, que é o que já está acontecendo. Pessoas vindo para o SUS para conseguir reverter consequências do que já foi feito, aí acaba sobrecarregando o sistema com essas coisas de fins estéticos”, diz a médica Raíssa Priscila, da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Nova, em Imperatriz.

Profissionais do SUS alertam para uso do medicamento para além de tratamento de doenças como diabetes

Segundo a profissional, o aumento no uso do medicamento está ligado ao comportamento social de buscar soluções rápidas para o emagrecimento. Ela também aponta que, embora ainda não haja conclusões definitivas sobre os efeitos a longo prazo, já são observadas alterações como instabilidade de apetite, humor e sono entre usuários. Diariamente, dezenas de pessoas procuram a UBS Vila Nova em busca do Mounjaro, que hoje não está disponível no SUS de Imperatriz.

A pressão estética e seus impactos na saúde mental aparecem como um dos principais fatores por trás da busca por canetas emagrecedoras. “A pressão cultural e midiática pelo corpo ideal gera uma busca incessante por perfeição, o que muitas vezes leva a uma desconexão com o próprio corpo e com as necessidades reais da saúde”, explica a psicóloga Anna Victória.

O crescimento da procura por medicamentos utilizados para emagrecimento, como o Mounjaro, tem levado a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a discutir medidas mais rígidas para a comercialização das chamadas “canetas emagrecedoras” no Brasil. Entre as propostas debatidas está a retenção obrigatória de receita médica, como forma de ampliar o controle sobre o uso desses medicamentos e reduzir riscos relacionados à automedicação e ao consumo indiscriminado.

Terezinha em registro atual, durante o período de tratamento com Mounjaro

Em contrapartida aos olhares negativos sobre o crescimento do uso do medicamento, há relatos positivos de quem utiliza a caneta. Terezinha da Silva Leite, agente comunitária de saúde, compartilha sua experiência com o Mounjaro. “Eu iniciei o uso do Mounjaro no dia 12 de fevereiro de 2026. O motivo foi pela minha saúde mesmo, porque eu não estava me sentindo bem com o excesso de peso. Sentia muita dor nas pernas, dor na coluna, problema de circulação”, relata.

Sobre os efeitos colaterais, ela diz: “O efeito colateral que eu senti foi só a constipação, um ressecamento. Mas depois passei a fazer uso de fibras e melhorei. Tô bem”, afirma. Por fim, destaca os resultados físicos que impactaram sua vida. “Até agora eu reduzi em média 18 quilos. Me sinto muito bem, minha autoestima voltou. As dores que eu sentia melhoraram bastante”, diz.

Na Câmara Municipal de Imperatriz, uma indicação apresentada em outubro de 2025 pelo vereador Wanderson Manchinha (MDB) propõe a inclusão do medicamento na rede pública de saúde. Em nível federal, a Anvisa também vem acompanhando o tema e discute maior controle sobre a comercialização das canetas emagrecedoras em todo o país.