A padronização dos espaços no Mercadinho, iniciada pela prefeitura de Imperatriz, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Produção (SEAAP) teve como objetivo, melhorar a circulação na área. Mas a iniciativa tem provocado reações entre os trabalhadores que dependem da feira para garantir renda. Apesar da medida ter sido considerada necessária por parte dos feirantes, relatos indicam que houve, anteriormente, uma tentativa de retirada sem aviso formal, o que gerou insegurança entre os comerciantes.
A ação estabelece o limite de até três metros para ocupação das barracas e busca organizar o fluxo de veículos e pedestres em uma das áreas mais movimentadas da cidade. Segundo a gestão municipal, a proposta não inclui a retirada dos trabalhadores, mas sim a reorganização do espaço.
A feirante Natália de Sousa, que trabalha há 12 anos no Mercadinho, comenta que a organização era necessária, mas relembra o momento de tensão vivido antes da intervenção. “Ajudou a organizar, porque estava bem bagunçado, estava precisando”, afirma. Mas também completa que, inicialmente, houve tentativa de retirada dos feirantes. “Eles chegaram sem papel, sem nada, só queriam despejar a gente”, diz.
Segundo Natália, a mobilização dos trabalhadores contribuiu para que a proposta fosse revista. Após o ocorrido, a prefeitura passou a tratar a ação como uma reorganização do espaço, sem previsão de retirada. A feirante também afirma que não foi apresentada uma alternativa de local caso a retirada fosse concluída.
Para Maria Barbosa, que está há cerca de 25 anos no Mercadinho, a reorganização trouxe melhorias no funcionamento da feira. “O espaço ficou bem melhor, mais amplo. A rua ficou mais espaçosa”, afirma.
Apesar disso, Maria confirma que houve preocupação entre os trabalhadores diante da possibilidade de retirada. “Teve essa repercussão toda por conta dessa ameaça de tirar a gente aqui do nosso local de trabalho”, relata. De acordo com ela, o impasse foi resolvido após diálogo entre feirantes e poder público.
Impacto na economia local
Além da padronização, a situação levanta questionamentos sobre o impacto econômico das medidas. Para os trabalhadores, o Mercadinho representa uma importante fonte de renda, não apenas para os vendedores, mas também para outros setores que dependem da atividade.
Segundo o economista Fernando Babilônia, a insegurança sobre a permanência no local pode ter efeitos diretos na renda dos trabalhadores. Para ele, muitos feirantes dependem exclusivamente da atividade e que sem ela, poderiam sofrer uma queda acentuada nos ganhos: “Sem a certeza de continuar no local, a tendência é reduzir compras e estoque. Os feirantes passam a agir de forma mais conservadora, tanto nas compras quanto no consumo pessoal”, afirma.
O economista também ressalta a importância dessas feiras para a economia local. Segundo ele, em cidades do porte de Imperatriz, há espaço tanto para feiras fixas quanto itinerantes, permitindo que trabalhadores se organizem financeiramente a partir da atividade. “É necessário um trabalho contínuo e planejado para que o projeto avance de forma sustentável e beneficie feirantes, município e população”, afirma.
Por Sofia Alves