“A educação ambiental nos chama a agir de forma coletiva”, afirma coordenadora do curso de Meio Ambiente do IFMA

Professora e pesquisadora, Sheryda Carvalho defende mais participação popular nas decisões que envolvem o meio ambiente em Imperatriz

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“Não vai ser fácil ou imediato, para amanhã, mas é um caminho que eu acho que é sólido no que se refere à mudança de postura, do que se entende sobre a questão ambiental”, afirma a professora e coordenadora do curso Técnico em Meio Ambiente do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em Imperatriz, Sheryda Lila de Souza Carvalho. Ela acredita que a educação nessa área tem o poder de transformar gerações. “Quando eu olho para o meu filho, de seis anos, eu vejo que ele já tem um olhar ambiental muito diferente do que tive, quando estava na mesma faixa etária”.

Professora Sheryda Carvalho defende educação ambiental que transforme conhecimento em ação. (foto: Divulgação)

De acordo com a professora, quando essa consciência chegar à maioria da sociedade, o impacto será ainda maior. “Esse olhar requer informação. O ensino de meio ambiente não é apenas no sentido de construção de uma cultura, mas envolve também um conhecimento técnico”, explica. Para Sheryda, quando se trata da educação de comunidades que produzem, é fundamental buscar uma formação técnica que conjugue preservação ambiental e empreendedorismo. Como exemplo, mencionou a agricultura familiar e reforçou a importância de saberes voltados às práticas de cultivos regenerativos de florestas.

Essa relação entre produção e sustentabilidade, de acordo com Sheryda, faz mais sentido. “Não é preservar por preservar. Mas preservar porque aquilo é um recurso que eu preciso manter se eu quiser que a minha atividade continue. Quando o estudante ou produtor enxerga isso, tudo muda”. Na opinião da professora, práticas como ações de manejo sustentável, cultivo adaptado e uso responsável de bens naturais fortalecem tanto o desenvolvimento econômico quanto a formação de cidadãos conscientes. “A educação ambiental cria pessoas capazes de replicar esses conhecimentos. Não é só algo que precisamos desenvolver em nós, mas também nos tornamos pessoas que levam isso adiante”.

Esse poder multiplicador também envolve a responsabilidade dos profissionais da educação. “Quem está formando educadores ambientais por excelência, não está aqui apenas para construir práticas, mas também levar esse conhecimento para as outras pessoas. Essa é a força da educação ambiental”, ressalta. Para Sheryda, se essa pedagogia é desenvolvida de forma planejada, ela se torna um verdadeiro instrumento de transformação social. “Quando conseguimos transformar conhecimento em ação, isso muda comportamentos não só no presente, mas também no futuro, para as gerações que ainda vão chegar”, explica.

Formação

A formação de profissionais, tanto para o mercado de trabalho, quanto para a continuidade de pesquisas, envolve uma série de desafios, na opinião da coordenadora. Segundo ela, a escola enquanto instituição, teve poucas mudanças ao longo do tempo, sobretudo no que se refere às metodologias e aos processos sistemáticos. “É uma estrutura muito grande e não depende só de nós, professores”.

Professora Sheryda Carvalho e estudantes do curso de Meio Ambiente do IFMA durante evento. (foto: Assessoria IFMA)

Sheryda também aponta que a expansão das tecnologias digitais é um fator que pode dificultar o trabalho docente, pois alguns estudantes acreditam que não precisam de um professor pra aprender. “A internet está aí. Ela traz muita informação, sem dúvida, mas não é o mesmo que conhecimento”, diferencia. Com a maturidade, segundo ela, os alunos vão compreendendo que as respostas do ChatGPT, por exemplo, são rasas, e a profundidade do aprendizado é expandida em sala de aula, ainda que o tempo disponível seja limitado.

Outra problemática observada no processo de ensino é o uso inadequado do celular, principalmente das redes sociais. “A lei diz que não é pra levar, mas muitos precisam”, comenta a coordenadora. Muitas vezes, cabe ao docente garantir que a lei seja cumprida. Para Sheryda, é como se o professor estivesse disputando a atenção do aluno com o aparelho, o que dificulta a concentração e prejudica o aprendizado presencial, gerando um desgaste para quem ensina. A professora também ressalta que a influência dos pais e responsáveis faz total diferença na vida estudantil. “Os casos que temos de maior dificuldade para o processo de aprendizagem e formação são aqueles em que as famílias são mais distantes”, exemplifica.

Sheryda observa ainda, que existe uma percepção social de que é possível as pessoas “se darem bem” sem precisarem estudar, reforçada por carreiras como as de jogador de futebol, ou influenciador digital. “Já teve aluno que disse pra mim que quer ser político porque a vida é mais fácil”, relata, com espanto. Para ela, falas como esta constroem um discurso perigoso e alimentam questionamentos como: “Será que a educação é realmente necessária na minha vida? Para realmente eu me dar bem, preciso estudar?”.

Viagem de estudos dos estudantes do curso de Meio Ambiente à Usina Hidrelétrica de Estreito (foto: divulgação)

Sobre o meio ambiente, Sheryda confirma que um dos maiores desafios é a falta de compreensão, no Brasil, de que esse tema é concreto e faz parte do cotidiano das pessoas. “O cuidado ambiental não pode ser visto apenas como algo burocrático. Toda solicitação nessa área tem um porquê, e entender isso é fundamental”, frisa. Segundo ela, a consciência vai muito além de não jogar um papel no chão.

Para a professora, outro ponto crítico é a distância entre as leis e a realidade. “A legislação é ampla, mas o que está no papel muitas vezes não corresponde à prática”. O professor precisa enfrentar essas contradições diariamente, tarefa que nem sempre é simples.  “A educação transforma vidas, mas você precisa acreditar e usá-la para transformar a sua vida”.

Pesquisa

Historiadora e geógrafa, a professora Sheryda percebeu, desde seu mestrado em geografia urbana, que existem muitas lacunas no que se refere à produção do conhecimento sobre Imperatriz. Esse sentimento a despertou para o tema da migração em seu doutorado. “Eu trago a minha tese fazendo essa contribuição para a historiografia da cidade, ajudando a conhecer um pouco mais dessas pessoas anônimas”.

Professora Sheryda Carvalho aborda o tema da sua tese em palestra na Semana de Ciência e Tecnologia, em 2023 (foto: divulgação)

Seu trabalho, “A cidade, suas tramas e seus dramas”, buscou contar a trajetória de milhares de camponeses e “pessoas comuns” que impulsionaram o vertiginoso crescimento de Imperatriz após a abertura da rodovia Belém-Brasília, a partir de 1959.  Um fenômeno atestado pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos Censos que indicam a população saltando de 39 mil para mais de 220 mil habitantes, durante as décadas de 1960 e 1980.

A pesquisa adotou a abordagem da “história vista de baixo” para preencher uma lacuna na historiografia local. Segundo a professora, os livros de referência sobre Imperatriz, em geral, focavam apenas na sua pujança econômica. “E sempre atribuindo esse crescimento a empresários que vieram para cá, ou então famílias tradicionais. Mas não falavam sobre as pessoas comuns”, analisa.

Seu objetivo foi amplificar as vozes desses migrantes, que eram tratados apenas como “dados, números, estatística.” A motivação da pesquisadora é também pessoal, pois, embora não tenha nascido na cidade, afirma: “Eu não tenho memórias do lugar que eu nasci. Eu tenho memórias a partir de Imperatriz. Então, por isso, eu me considero imperatrizense.”

Além da contribuição histórica, Sheryda alerta para as questões ambientais urbanas, decorrentes desse rápido crescimento. Ela enfatiza a necessidade de investir na educação ambiental, destacando que o conceito de meio ambiente vai muito além do natural, abrangendo o urbano, o artificial e o cultural.

A pesquisadora reflete que se trata de uma perspectiva a longo prazo, e na sua prática profissional busca incentivar os seus alunos a terem uma mudança de postura. “A gente tem esse desafio de sempre buscar preparar os jovens para intervirem nas questões ambientais da nossa cidade, seja quando forem profissionais de meio ambiente, seja como cidadãos”. Mas já nota avanços neste aprendizado, desde o ensino básico, que, na sua opinião, tem melhorado neste sentido.

Palestra da professora Sheryda Carvalho durante o Salão do Livro de Imperatriz (Salimp), em 2022 (foto: divulgação)

Assim, a solução para as questões ambientais exige um papel ativo da sociedade. Sheryda lembra que a lei atribui o dever de preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado tanto ao Poder Público quanto à Coletividade, assim como consta na Constituição Federal de 1988.  “O que é confortável é a gente cobrar, apontar os problemas. Mas o nosso papel como cidadão não é só passivo. Ele também é ativo, de fazer a nossa parte”.

Planejamento urbano

Em 2012, ao defender sua monografia sobre licenciamento ambiental, a então recém-formada em Direito percebeu algo inquietante. Imperatriz ainda não possuía uma legislação ambiental, mesmo tendo vivenciado um processo de urbanização acelerado. Treze anos depois, já doutora em História e mestre em Geografia, a professora observa que o debate amadureceu, embora de forma lenta.

A urbanização acelerada em Imperatriz ainda enfrenta entraves para alcançar um modelo de desenvolvimento sustentável. Para Sheryda, a primeira dificuldade está na capacidade de organizar e expandir a cidade sem ignorar os impactos ambientais. Embora existam normas, muitas ainda dependem de consolidação, já que as leis específicas são consideradas recentes. “Quando terminei a graduação, em 2012, não existia ainda uma legislação ambiental municipal própria. Estamos falando de algo construído há pouco mais de uma década”, menciona. A criação da Política Municipal de Meio Ambiente representou um avanço, mas sua aplicação efetiva segue limitada, na sua opinião.

A pesquisadora diz que a própria ideia de sustentabilidade também é recente e ainda está em assimilação pela sociedade. “As coisas levam tempo para serem absorvidas e para se transformarem em normas. Não basta criar a lei, é preciso que ela tenha aplicabilidade e eficácia”. Ela menciona o conhecido fenômeno brasileiro das leis que “pegam” e das que “não pegam”.

Um exemplo claro é a política urbana. O Plano Diretor, que deveria orientar o desenvolvimento da cidade, passou por entraves jurídicos e atrasos, dificultando sua execução. “Deixou a desejar, porque não está suficientemente conectado à realidade local, faltam instrumentos que garantam sua aplicação prática”, critica. A previsão é que a próxima revisão torne o documento mais sólido e alinhado às demandas atuais.

Para além dos aspectos técnicos, o envolvimento popular nos processos decisórios ainda é baixo. “O Plano Diretor é uma legislação construída com participação social, mas grande parte da população nem sabe o que ele significa”, ressalta. De acordo com a professora, a cultura brasileira tende ao individualismo, dificultando o entendimento de políticas coletivas. “Não cabe ao poder público, apenas. A sociedade precisa fazer parte e ser ouvida também, mas precisa querer”, observa.

Compreender a sustentabilidade como algo que envolve as dimensões social, econômica e ambiental é fundamental, recomenda a pesquisadora. “Hoje não falamos mais apenas em crescimento, mas, sim, em desenvolvimento, que envolve qualidade de vida e integração desses aspectos”. Sheryda pontua que “o desenvolvimento urbano  leva em conta todas as questões para que a cidade cresça e propicie qualidade de vida à população”.

Professora Sheryda Carvalho durante encontro com gerentes da empresa Suzano em Imperatriz (foto: divulgação)

Entre os desafios ambientais mais graves do município está a degradação dos córregos urbanos. “A ideia do porquê os riachos se tornaram o que são hoje tem relação com a cultura de achar que a água leva tudo embora. Eu quero me livrar do problema, não importa para onde vai. Aí vamos colocando tudo ali. Isso precisa mudar, e demanda debate, educação e sensibilização”, pondera.

A escassez de espaços naturais de uso público é outro ponto levantado pela pesquisadora. “Nossos riachos estão totalmente comprometidos, faltam áreas verdes e temos pouca oferta de espaços de lazer”, constata. Em uma cidade quente como Imperatriz, a falta de áreas sombreadas e acessíveis impacta diretamente o bem-estar da população. Ela também chama atenção para a necessidade de mudança cultural. “A gente precisa superar a ideia de que só o que é pago é bom, tem qualidade e merece cuidado. O espaço público também é nosso, nós já pagamos por ele com nossos impostos”.

A pesquisadora defende que avançar na pauta ambiental exige educação, debate e articulação entre diferentes setores. “Essa discussão é de todos, poder público, universidades, escolas, imprensa e população. É uma construção coletiva. Não sou eu e você, somos todos, inclusive os que ainda virão”.

Cidadania

Ao comentar sobre a participação popular nos conselhos municipais, Sheryda foi direta: “Como posso pensar em uma cidade comprometida, se órgãos como esses, tão importantes, estão esvaziados?”. A professora considera que a sociedade precisa participar ativamente das decisões acerca do coletivo também nessas esferas. “A população imperatrizense não utiliza os meios que têm para ser ouvida e buscar melhorias em vários aspectos, seja não participando na criação de leis do Plano Diretor ou desses colegiados”.

Institucionalizados desde a mais recente Carta Magna, com a democratização da gestão pública, esses órgãos são instrumentos de participação popular e controle social criados por leis municipais. Têm como objetivo discutir, propor, determinar e fiscalizar políticas públicas em áreas específicas. “É uma inovação que a gente tem no Poder Público desde a Constituição de 1988, que traz a sociedade para a gestão. Pessoas que são ouvidas, que têm suas opiniões, considerações e deliberam sobre temas importantes sobre temas importantes, como saúde, educação, meio ambiente, planejamento urbano”, esclarece Sheryda.

A cidadania ativa é a principal engrenagem nesse sistema de governança, na opinião da professora. Sobretudo na tomada de escolhas, uma vez que o território é o fator preponderante nesse organograma. Além disso, o pleno exercício das responsabilidades implica no fortalecimento e garantia da democracia. “Não é o prefeito, o secretário de Meio Ambiente que vai tomar as decisões, será o Conselho. Precisamos avançar muito em conhecer nossos direitos e deveres. Todo direito tem uma obrigação em contrapartida”.

Segundo a pesquisadora, a conscientização para atuar nesses espaços parte de cada cidadão, elencando realidades, discussões, capacitações e trabalhos de formação voltados para a educação, como meio de convencimento. Ela acrescenta que a coletividade, por meio do pensamento crítico e colaborativo, é essencial para o avanço das discussões. “É preciso ir além, o debate precisa ser mais sério, profundo, responsável, comprometido e principalmente, mais conectivo. Não pode ser eu pensando e resolvendo o meu problema, precisa resolver enquanto conjunto, como sociedade”.

Memória

A preservação da memória de um município é fundamental para a construção da identidade coletiva e para a compreensão dos processos políticos, culturais e sociais que moldam seu desenvolvimento, conforme defende a professora Sheryda. No entanto, em cidades como Imperatriz, essa conservação encontra sérios obstáculos, devido à ausência de arquivos públicos e de ações de cuidado com o patrimônio, além da pouca valorização da história local. Esse cenário compromete a formação de pesquisadores e dificulta o acesso da população ao seu próprio passado.

A dificuldade, segundo a professora, começa na falta de documentação disponível. Sem arquivos municipais organizados, torna-se quase impossível realizar pesquisas aprofundadas sobre gestões anteriores, práticas legislativas e transformações culturais da cidade. Sheryda chama a atenção para o fato de que grande parte da população concentra seu olhar apenas no Poder Executivo, ignorando o papel do Legislativo. Na sua ótica, a desinformação política faz com que muitos cidadãos sequer se lembrem em quem votaram, o que impede o acompanhamento das ações públicas.

Professora Sheryda Carvalho assina a sua posse no Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz (foto: divulgação)

Ao observar o passado de Imperatriz, especialmente antes da Constituição de 1988, a coordenadora aponta uma rotatividade constante de prefeitos e interventores, muitos deles sem legitimidade eleitoral, pois chegaram ao poder por indicação em períodos autoritários. A ausência de continuidade administrativa e o descaso com registros oficiais tornam difícil reconstruir as ações desses governantes. Documentos essenciais, como atas legislativas, deveriam estar preservados, pois constituem fontes de estudo. “No entanto, a cidade nunca desenvolveu uma política pública efetiva de preservação documental, o que resultou na perda de informações valiosas, inclusive a partir de destruição de arquivos em momentos de transição política”, denuncia Sheryda.

Devido à falta de registros, a história oral e fontes alternativas, como jornais antigos, tornam-se fundamentais para reconstituir a memória da cidade, sugere Sheryda. A própria tese da docente só foi possível graças ao acesso ao Jornal Progresso, da década de 1970, e às entrevistas com migrantes que se estabeleceram em Imperatriz a partir dos anos 1950. Contudo, a pesquisadora argumenta que “a dependência de relatos individuais evidencia o risco de perda irreversível dessas memórias, especialmente quando não há instituições comprometidas em guardá-las”.

Nesse contexto, iniciativas como o Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz (IHGI), do qual Sheryda faz parte, surgem  como tentativa de valorizar a história e a cultura local. Entretanto, tais ações enfrentam dificuldades devido à falta de investimento e apoio governamental. Como ela sintetiza, “não existem políticas públicas voltadas à preservação do patrimônio  em  Imperatriz”. Essa ausência de compromisso com a memória compromete não apenas as pesquisas acadêmicas, mas também o senso de pertencimento e identidade da população.

Professora Sheryda Carvalho, ao lado de outros integrantes do Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz (foto: divulgação)

Para a professora Sheryda, preservar a história de Imperatriz não é apenas resgatar o passado, mas garantir que a cidade compreenda sua trajetória para construir um futuro consciente. “A implantação de políticas públicas de preservação documental, educação histórica e valorização cultural é essencial. Sem isso, corre-se o risco de perder não apenas registros, mas a própria identidade da cidade e de seu povo”.

Turismo

Com experiência em planejamento urbano, educação ambiental, sustentabilidade e desenvolvimento territorial, Sheryda cita que compreender o turismo exige olhar para o município como um espaço em constante transformação. Para ela, Imperatriz desempenha um papel singular na região por sua trajetória histórica em acolher visitantes. “Temos uma cidade que, historicamente, é receptiva e tem atraído investimentos e empreendimentos”.

Ao analisar a importância do município no setor turístico do sul do Maranhão, a professora conclui que ele opera como um ponto de apoio essencial, especialmente na prestação de serviços. Segundo ela, esse é o principal diferencial da cidade, em comparação ao potencial  dos destinos naturais próximos, como Carolina (MA). “Eu vejo Imperatriz nessa lógica de turismo na região muito mais com o papel de prestadora de serviços especializados”.

Embora a cidade não possua grandes atrativos naturais próprios, isso não diminui sua função no contexto da experiência dos visitantes, conforme verifica a pesquisadora. “A gente pode não ter patrimônio ambiental, pensando no ecoturismo, que atraia pra cá, mas temos uma gama de serviços que vão facilitar a vida de quem quer conhecer o sul do Maranhão e a região da Chapada das Mesas”.

Consciência

O compromisso com o meio ambiente não se restringe aos educadores ou pesquisadores. A professora Sheryda defende que qualquer profissional que atue na área ambiental tem o dever de promover ações educativas e incentivar a conscientização coletiva. “Isso faz com que se multiplique mais, tanto a quantidade de agentes que trabalham nessa perspectiva quanto a disseminação desse conhecimento e das mudanças de postura”.

IFMA de Imperatriz organiza eventos para debater a importância da educação ambiental (foto: divulgação)

Apesar dos progressos em vários aspectos, a pesquisadora reconhece que o avanço da consciência ambiental poderia ser mais acelerado. “Já evoluímos muito em comparação a 30 ou 40 anos atrás. Mas, no nosso país as coisas ainda andam em um ritmo mais lento do que poderia ser”, avalia. Ainda assim, ela celebra o que já foi construído. “Tem que preservar. A mudança não acontece todos os dias, mas ela acontece”.

A educadora reforça que a esperança está no processo de formação, prática e reflexão. “A educação ambiental nos chama a agir, a pensar coletivamente e a entender que somos parte de algo maior. Quando essa consciência desperta, seja na sala de aula ou no campo, estamos construindo um futuro mais responsável e sustentável.”

*Este texto é resultado de um exercício de entrevista coletiva realizado na disciplina Redação Jornalística, do primeiro semestre do curso de Jornalismo da UFMA de Imperatriz (MA). Os e as estudantes pesquisaram sobre a entrevistada, elaboraram as perguntas, executaram a entrevista e transformaram as declarações em textos jornalísticos. Esta é a primeira publicação oficial deles e delas.