Texto – Rafael Pestana

Fotos – Reprodução/Ascom

 

Contando atualmente com 2.548 alunos regularmente matriculados, o Centro de Ciências Sociais, Saúde e Tecnologia (CCSST), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em Imperatriz, oferece 692 vagas para nove cursos de ensino superior por ano, porém ao analisarmos os dados da Assessoria de Comunicação da instituição, dos ingressantes de 2014 que colaram grau em 2017.2 e 2018.1, apenas 223 acadêmicos concluíram seus respectivos cursos no período regular, número correspondente a pouco mais de 36% dos alunos ingressantes.

Nesse levantamento não foram considerados os acadêmicos ingressantes no curso de Medicina, que só terá a primeira turma formada em 2020, pois este possui duração de seis anos regulares mais dois anos de residência, ao contrário dos demais cursos que possuem duração de quatro anos, que podem ser prolongados por mais dois anos antes dos estudantes perderem a matricula, caso não consigam consolidar a conclusão do curso no prazo regular de integralização.

Menos de 40% dos jovens estudantes conseguem concluir o curso regular no tempo determinado

Por cursos, os que possuem entrada anual são Ciências Contábeis, Licenciatura em Ciências Humanas – Sociologia e Licenciatura em Ciências Naturais – Biologia. Nesses, cada graduação oferece 60 vagas no segundo semestre. Já os demais cursos possuem entrada semestral, sendo por semestre 46 vagas em Comunicação Social – Jornalismo, 40 vagas em Direito, 50 vagas em Enfermagem, 40 vagas em Engenharia de Alimentos, 40 vagas em Medicina e 40 vagas em Pedagogia.

Somando a quantidade de formandos de 2017.2 e 2018.1, o curso de Direito foi o que obteve o maior número de acadêmicos concluintes, exatos 78 alunos no período, seguido de Pedagogia que formou 60 estudantes e Enfermagem com 34 graduados. Na contramão, os cursos que menos formaram acadêmicos no período regular, foram Licenciatura e Ciências Naturais – Biologia com 3 formandos, Ciências Contábeis com 8 e Licenciatura em Ciências Humanas – Sociologia com 12 concludentes.

O Coordenador do Curso de Direito, Gabriel Araujo Leite, explica que o alto índice de conclusão se deve ao fato de que “direito tem pouca desistência porque no geral, ao contrário de muitos cursos em que o aluno entra como segunda opção no Sisu, as pessoas que entram em Direito, de fato, tinham o curso como primeira opção, o que os torna mais focados em concluir a graduação”.

De acordo com o Coordenador do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas, Alexandre Peixoto Faria Nogueira, deve-se ressaltar que a não conclusão do curso, se deve a dois fatores: a evasão e a retenção acadêmica. No curso de LCH, por exemplo, entre o primeiro e o segundo período ocorreu uma evasão de 51% dos ingressantes. “A gente sabe que os cursos de licenciaturas não estão no rol da primeira opção dos alunos, e por um movimento histórico de desprezo e de falta de investimento do governo federal, ninguém quer fazer licenciatura, porque não quer sofrer como professor”, diz.

O Coordenador de LCH acrescenta que como forma de diminuir essa evasão, a UFMA trabalha com políticas de assistência estudantil que tentam amparar os universitários, em especial os que vêm de fora da cidade, para garantir a permanência dos acadêmicos na universidade. Em relação à retenção universitária, o coordenador ressalta que grande parte dos alunos não conseguem concluir o curso devido à fatores como por exemplo não conseguir concluir o TCC.  “Por ‘N’ motivos: o estudante trabalha, não tem tempo, não participava de projetos de pesquisa, então não possuem essa cultura do pesquisar, do escrever. E isso dificulta sua saída”, explica.

A Assistente Pedagógica Elaíne Lima Santana explica que a universidade tem se preparado para amparar os graduandos e tentar diminuir a evasão acadêmica, por meio de programas de assistência estudantil. “Buscamos para garantir a permanência dos alunos na universidade. E também agora, com nossa equipe formada, estamos oferecendo um acompanhamento aos estudantes, com psicólogos, pedagogos e juntamente comas coordenações de cursos”, destaca. Por fim, o coordenador Alexandre Peixoto Faria Nogueira ressalta que a evasão acadêmica, apesar das políticas de assistência estudantil, é um problema nacional e não uma característica da UFMA.